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Ana Gomes aponta o dedo a Marcelo pelo seu silêncio sobre acordo entre Chega e PSD

É com "muita inquietação" que a candidata vê "um partido com sólidas credenciais democráticas como o PSD, com uma génese até social-democrata, a abdicar daquilo que deveriam ser as linhas vermelhas e fazer um entendimento com um partido racista, xenófobo, anti-constituição, de extrema-direita".

A candidata presidencial Ana Gomes manifestou, esta quinta-feira, estranheza no silêncio do Presidente da República sobre o acordo parlamentar entre o Chega e o PSD nos Açores.

"Estranho que ainda não tenhamos ouvido [Marcelo Rebelo de Sousa sobre o acordo parlamentar que viabiliza o governo nos Açores], mas não perco a esperança de que o possamos ouvir nos próximos dias sobre esta matéria, que é de tamanha importância para a saúde da democracia em Portugal", disse Ana Gomes, à margem de uma visita ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

"Ouvimos frequentemente [o Presidente da República] opinar sobre todas as matérias, incluindo sobre aspetos do posicionamento do seu partido de origem, o PSD - ainda há pouco tempo o ouvimos falar sobre a posição que o PSD deveria ter em relação ao Orçamento do Estado. Pois, eu estou a aguardar ouvir o senhor Presidente da República sobre esse acordo", acrescentou.

A antiga eurodeputada defendeu, questionada pela agência Lusa, que Marcelo Rebelo de Sousa deveria instruir o Representante da República para os Açores para "fazer aquilo que é indispensável - tornar público o acordo escrito que deu origem a toda esta situação que é grave para os Açores e grave para a República".

Ana Gomes afirmou ainda que via com "satisfação" o facto de haver "muita gente" do PSD e do CDS que quiseram demarcar-se do acordo dos sociais-democratas com o partido liderado por André Ventura, também ele candidato presidencial.

É com "muita inquietação" que a candidata vê "um partido com sólidas credenciais democráticas como o PSD, com uma génese até social-democrata, a abdicar daquilo que deveriam ser as linhas vermelhas e fazer um entendimento com um partido racista, xenófobo, anti-constituição, de extrema-direita".

Para Ana Gomes, “ao contrário do que se tem procurado dizer”, este não é um acordo que se restrinja apenas à região autónoma. “Obviamente não está contido. Os Açores são território da República Portuguesa. Para além do mais, se um acordo deste tipo é feito nos Açores pode ser replicado no continente e isso ameaça a democracia", sublinhou.