Politica

BE. Mortágua nas Finanças? Só se o PS tivesse "ensandecido"

Vital Moreira garante que desejo de Louçã não se vai concretizar. “Seria necessário que os portugueses e o PS tivessem ensandecido”, afirma.  


Francisco Louçã aproveitou a Convenção do BE para voltar a manifestar o desejo de que a deputada bloquista Mariana Mortágua chegue a ministra das Finanças. “Quero dizer-vos uma certeza que tenho: quando a Mariana for ministra das Finanças, o Estado não será um porquinho mealheiro para pagar aventuras como do Novo Banco. Dívidas de 500 milhões de euros não serão tratadas como traquinices garantidas por um palheiro ou uma mota de água”, disse o fundador do Bloco de Esquerda.

A “certeza” de Francisco Louçã pode estar longe de se tornar realidade com o divórcio entre o PS e os bloquistas, mas mereceu alguns comentários. Vital Moreira, ex-eurodeputado do PS, considera que “o episódio mais chamativo” da Convenção foi o momento em Francisco Louçã “imaginou a gloriosa chegada de Mariana Mortágua ao Ministério das Finanças”, mas tem poucas dúvida de de que isso não vai acontecer. “Dessa estamos obviamente livres, visto que para isso seria necessário que os portugueses e o PS tivessem ensandecido, a ponto de repetir a desastrosa experiência de Varoufakis na Grécia”, escreve, no blogue Causa Nossa, o constitucionalista.

Vital Moreira considera mesmo que, se um dia o Bloco de Esquerda integrar o Governo, essa seria “a última pasta” que lhe poderia ser entregue. Se o Bloco de Esquerda ficar com a pasta das Finanças, Vital Moreira antecipa um cenário trágico: “aumento desmedido da despesa pública, aumento do défice orçamental e da dívida pública, aumento de impostos, fuga de capitais e do investimento estrangeiro e, no fim, crise económica e financeira”.

A Convenção do BE não deixou os socialistas indiferentes. A líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, lamentou que os bloquistas não consigam “sair de um partido de protesto para um partido construtor de soluções nas dificuldade”. A líder parlamentar do PS escreveu, nas redes sociais, que “é difícil de entender” a “tentativa, durante todo o fim de semana, de expiar o peso do voto contra, ao lado da direita, no último orçamento que reforçou o SNS, aumentou a proteção social, criou uma nova prestação para quem nunca descontou para a Segurança Social” e “aumentou a proteção no desemprego”. 

O deputado socialista Filipe Neto Brandão também voltou a criticar a postura do Bloco nas negociações do Orçamento do Estado para 2021. “Quem diz querer combater a extrema-direita, não alia o seu voto àquela”, escreveu, na sua página do Facebook. 

Durante a XII Convenção do partido, em Matosinhos, as principais figuras do Bloco de Esquerda acusaram o PS de acabar com a geringonça. Catarina Martins não fechou, porém, a porta a um novo entendimento. “Não ficamos zangados pelo facto de o PS ter fechado a porta a uma solução de estabilidade para quatro anos. É a sua escolha, nós abriremos outra porta”, afirmou a coordenadora dos bloquistas. Governo e Bloco deverão voltar a sentar-se à mesa em julho para discutir o Orçamento do Estado para 2022.