Lina Lopes. Presidente da Academia de Formação Política

'Um líder forte precisa do apoio das mulheres'

Decorre neste fim de semana a 7.ª Academia de Formação Política para Mulheres Sociais-Democratas. A presidente, Lina Lopes, fala sobre os desafios atuais e lembra ‘pioneirismo’ do PSD.


Mais uma vez, a luta pela liderança do PSD é 100% masculina. Porque é que não há mulheres a candidatarem-se à presidência do partido? O que falta para que isso aconteça?
Tivemos grandes mulheres políticas no PSD. Aliás, o PSD foi o primeiro partido português a nomear mulheres para cargos políticos públicos de grande importância. Recordemos Leonor Beleza, Manuela Ferreira Leite, Teresa Patrícia Gouveia, Celeste Cardona, Assunção Esteves. Na 1ª Academia de Formação, em Lisboa, Morais Sarmento qualificou este pioneirismo do PSD como uma marca de água que o PSD tinha deixado na história política do pós-25 de Abril. Se fomos pioneiros no passado, não podemos agora esmorecer. Os candidatos a líder são dois homens, mas não podemos esquecer que a luta pela liderança envolve muitas mulheres. E estou certa que as mulheres sociais-democratas irão ter um papel crucial na eleição do futuro líder, que tem de ser cada vez mais decisivo no PSD, pois o PSD tem inevitavelmente de procurar maior proximidade à sociedade e à realidade do país, onde as mulheres são a maioria da população e a parte de população com melhor formação. Após a eleição, as mulheres irão contribuir com o seu dinamismo e as suas ideias para o caminho difícil e exigente que o novo líder terá de percorrer na oposição ao Governo socialista. Precisamos de um líder forte e um líder forte precisa do apoio das mulheres sociais-democratas.

Muitos apontam a emancipação da mulher como um dos feitos do 25 de Abril. Quase 50 anos depois, a representação feminina na política continua a ser muito baixa. Porquê?
Sim, o 25 de Abril foi um marco fundamental, que todas celebramos e respeitamos. A desigualdade extrema entre homens e mulheres, consignada explícita ou implicitamente nas leis, foi ultrapassada. Todavia, os três D’s do 25 de Abril – Descolonização, Democratização e Desenvolvimento – foram materializados com graus de profundidade diferentes. O D do Desenvolvimento ficou um pouco coxo. E os últimos Governos PS não têm mostrado coragem ou mesmo vontade política para repor o país no caminho do desenvolvimento. Isto tem grande impacto na dinâmica social e tem levado ao agravamento das desigualdades, ao empobrecimento e à precariedade. Não é fácil mobilizar as pessoas para combates políticos. Mas o caminho tem sido feito e o número de mulheres na política tem vindo a aumentar. Por exemplo, no Parlamento o número de mulheres aumentou de legislatura para legislatura. Infelizmente, registou-se um pequeno retrocesso na atual legislatura. Também é inconcebível que um órgão de topo como o Conselho de Estado, composto por 18 membros, inclua só três mulheres.

As leis de paridade têm contribuído para quebrar barreiras na igualdade de género na política?
É claro que as leis de paridade são fundamentais. Historicamente, as desigualdades entre homens e mulheres foram cristalizadas nas leis – em detrimento das mulheres, claro está. Agora precisamos de leis que reponham o equilíbrio. Existem atavismos e estereótipos  que só com a ajuda da legislação podem ser minimizados. A ideia de que com o tempo tudo se resolve e as desigualdades tendem a esbater-se tem um adversário milenar, chama-se realidade. Portanto, deixemos as histórias da carochinha para as crianças. 

Qual a importância de incluir mais mulheres no partido e na política nacional?
Além de ser uma maneira de refletir de forma mais adequada o facto de as mulheres serem metade (ou mais de metade) da população, existem cada vez mais exemplos de que mais mulheres a participar nas decisões políticas e na governação melhoram a governação. A Islândia é um dos países com mais elevado PIB per capita, tem sido nos últimos onze anos o país do mundo com menor disparidade de género. O Governo, constituído por cinco ministras e seis ministros, é encabeçado por uma mulher, e o Parlamento tem uma composição praticamente paritária, com 30 deputadas e 33 deputados. Nos últimos 70 anos a população cresceu cerca de 2% ao ano. Para este sucesso demográfico tem contribuído tanto a rede nacional de creches, acessível a preços módicos, como o apoio generoso à maternidade e à parentalidade. É um exemplo para o qual devemos olhar.

Os comentários estão desactivados.