Politica

Orçamento é ponto fraco de Costa

O “brutal aumento de impostos” que se antevê no Orçamento da Câmara para 2015 vai ser a grande arma do PSD para combater António Costa em Lisboa. Com um argumento de escala nacional, os sociais-democratas vão tentar pôr em evidência as contradições do novo líder socialista.

“Costa está a usar em Lisboa a receita que o Governo está a usar no país”, ataca Sérgio Azevedo, líder do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa. “O país tem um problema de receita, como a Câmara tem um problema de receita”, explica Azevedo, que elenca a carga fiscal que a autarquia prepara para resolver o problema: “um imposto de turismo sobre o consumo de bens hoteleiros, a actualização do imposto sobre saneamento básico, o aumento do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) e a criação da taxa de protecção civil e de um imposto sobre bens culturais a aplicar, por exemplo, nas entradas dos museus”.

Tudo isto se traduz numa carga mais pesada sobre os lisboetas que o PSD-Lisboa considera incompatível com o discurso nacional de António Costa. “Como é que vai defender a redução de impostos?”, quer saber Sérgio Azevedo, que também critica o “tabu” criado em torno da permanência ou não de Costa à frente da autarquia. “Os lisboetas precisam de saber com o que contam”, reclama Sérgio Azevedo, recordando que “há um ano Costa achava que ser presidente da Câmara era incompatível com a liderança do PS”.

Agora, António Costa é mais cauteloso. “Não creio que tenha acontecido alguma coisa que tenha constituído algum impedimento para este mandato”, ironizou Costa depois de conhecida a sua vitória nas primárias do PS, limitando-se a dizer que “para já” continuará na Câmara, mas com a porta aberta para sair. “Quando houver alguma coisa a clarificar, eu clarificarei”.

No PSD admite-se que o incómodo com a discussão do Orçamento da Câmara, agendada para dia 25 de Novembro na AML, possa acelerar a saída de Costa, evitando que esteja a defender uma fórmula de aumento de impostos na altura em que vai estar a combater a receita do Governo no Orçamento do Estado (OE).

O orçamento camarário deve, aliás, ser entregue pouco depois de o OE dar entrada no Parlamento, uma vez que a proposta do executivo de Costa tem de estar pronta até ao final de Outubro e a de Passos até dia 15.

Com as eleições directas do PS marcadas para 21 de Novembro – como Costa anunciou ontem na Quadratura do Círculo na SIC Notícias – e o congresso nos dias 29 e 30, antevê-se uma semana complicada para Costa no final do próximo mês.

Caso Costa saia da CML, o PSD antevê uma oposição mais fácil. “Fernando Medina é tecnicamente muito bom, mas não é António Costa”, comenta uma fonte social-democrata na autarquia. Uma das dificuldades de Medina pode ser a gestão de personalidades como Manuel Salgado, Helena Roseta e José Sá Fernandes, todos eles há mais tempo nos Paços do Concelho do que o sucessor de Costa.

Fica ainda uma pergunta no ar: com a subida de Fernando Medina ao lugar de Costa, quem será o vice-presidente da Câmara? Salgado já assumiu essas funções anteriormente, mas não é certo que volte ao lugar. O facto de ter ligações à família Espírito Santo e as notícias sobre a aprovação de um projecto do Hospital da Luz (do grupo GES) antes de estar em vigor o plano de pormenor para aquela zona podem deixar Salgado sem condições para voltar a ser número dois, deixando Duarte Cordeiro como hipótese mais plausível para o lugar.

margarida.davim@sol.pt