Politica

Carlos Carreiras: ‘Para ter maioria é necessária a coligação’

Nem o PSD nem Passos Coelho querem «que se lixem as eleições». Nos primeiros meses de 2015, mais resultados positivos da governação vão aparecer, diz Carlos Carreiras em entrevista ao SOL.

De que está à espera o PSD para renovar a coligação com o CDS?

Os comentadores e a comunicação social falam tanto da coligação que concluo que estão ávidos para que haja coligação. Mas essa é uma discussão interna que não tem sido feita.

Porquê?

Porque nestes primeiros quatro meses de 2015 temos a possibilidade de mostrar o reforço dos resultados económicos que têm sido obtidos por este Governo. O que se exige aos dirigentes do PSD e do CDS é o foco total nestes quatro meses de governação.

O que acontece daqui até Abril que é favorável ao Governo?

Portugal está a bater mínimos históricos nos juros da dívida e esta tendência continuará a consolidar-se. O dinheiro que não vai para os juros irá para os portugueses. Lembremos que o Governo socialista deixou os juros a 17%e não conseguia financiar-se a 3 meses. Nós agora fizemos um empréstimo a 30 anos, com juros baixos. A segunda área importante é a do emprego. Toda a gente dizia que o desemprego explodia e afinal foi o que mais reduziu na União Europeia. Eu acredito que voltará a reduzir-se. E qual será o argumento do PS se chegarmos a Abril com o nível de desemprego igual ao que o Governo do PS deixou como herança?

É a sua expectativa?

É a minha expectativa. Outra questão importante é o crescimento económico, que gera empregos. Portugal está a crescer acima do nível da Europa, o que não se verificava há muitos anos. Tudo isto são resultados positivos. Mas acrescentemos outros factores: os fundos comunitários, que começam a entrar nas empresas este ano, e o pagamento antecipado do empréstimo ao FMI. Este pagamento faz com que estejamos menos dependentes do exterior da Europa e gera um clima de confiança para os investidores. Estes dados todos são a primeiríssima prioridade do Governo e dos partidos da coligação.

Passos Coelho disse que «para ganhar ao PSD estamos cá nós». O PSD pode ganhar as eleições ou precisa do CDS?

Com o CDS temos maioria absoluta, é aliás o que se depreende da frase do presidente do PSD.

A coligação não é necessária para ganhar eleições?

Não. A coligação é necessária para obter uma maioria absoluta e garantir governabilidade.

Nas sondagens, nem coligados o CDS e o PSD ficam à frente.

O mais importante são os dados sobre os indecisos. São eleitores do PSD e do CDS que estão zangados, porque as medidas governativas que foram necessárias aplicar os afectaram. Esses descontentes, quando confrontados com a solidez de resultados e com a indefinição do PS, penso que irão escolher o projecto que sustentou este Governo.

O PSD está empenhado em ganhar as legislativas? Passos Coelho já afirmou «que se lixem as eleições».

Quando Passos Coelho disse «que se lixem as eleições» foi para as autárquicas, recusando então uma política eleitoralista do Governo. Eu estive de acordo e estava no terreno, como autarca. Foram umas eleições duras.

Agora é diferente?

Sim. Passos Coelho tem uma missão a cumprir que não termina em Setembro ou Outubro deste ano. Sem messianismos, digo que Passos Coelho não pode terminar a missão nas próximas eleições. Para bem de Portugal, terá de haver mais uma legislatura. Portanto, nem Passos Coelho nem os sociais-democratas querem ‘que se lixem as eleições’. E nem os portugueses. Eu acredito que para ganhar ao PS basta ir sozinhos, mas é preciso uma maioria para ter governabilidade e para isso é necessária a coligação.