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A reunião com o PCP foi ‘construtiva’, a com a PàF foi ‘bastante inconclusiva’

Foram três horas para chegar à conclusão de que foi “uma reunião bastante inconclusiva” aquela que António Costa teve com Passos Coelho e Paulo Portas. Costa saiu da sede do PSD na São Caetano à Lapa, não desiludido “porque só se desilude quem tem ilusões”, mas sem a “proposta concreta” que esperava encontrar.

MARIO CRUZ/LUSA

Até a data do próximo encontro parece não ter ficado muito clara na cabeça do líder do PS, que disse que a próxima reunião com Passos e Portas será “em princípio” na terça-feira, o dia em que a comissão política socialista volta também a reunir para analisar a situação.

“Tínhamos a expectativa de que, sendo o PSD, o maior partido parlamentar, nos tivessem sido explicitadas as condições de governabilidade”, disse António Costa aos jornalistas, explicando que “não foi possível trabalhar aprofundadamente sobre qualquer proposta”, porque, segundo o líder do PS, não havia nada de concreto do lado da coligação.

“Está previsto que nos próximos dias essa proposta nos seja apresentada”, avançou, não resistindo à comparação com a forma como os comunistas apareceram na reunião com o PS já com o trabalho de casa feito por contraste com uma PàF, segundo Costa, sem uma solução em cima da mesa.

“Nas reuniões que tivemos com o PCP foi mais fácil”, atirou, lembrando a Passos que o mundo mudou e vai mesmo ter de se habituar a negociar. “Tendo perdido a maioria, é necessário dialogar”, afirmou, avisando que  “o diálogo tem de assentar numa proposta concreta e não em ideias vagas”.

O contraste é total em relação à forma como Costa classifica a reunião com o PCP, que considerou “bastante positiva e construtiva” e que, em sua opinião, permitiu partir para um “trabalho sério” que continuará em novas reuniões.

“Esta reunião é inconclusiva porque não assentou em qualquer proposta. Não foi discutido nenhum ponto em concreto”, sublinhou, para lembrar que “quem tem a maior representação parlamentar tem o ónus de conduzir o processo”.

“Acho que há uma necessidade de adaptação da coligação às novas circunstâncias”, lançou, atirando para o PSD – partido com o maior grupo parlamentar, como frisou – “o ónus de tomar as diligências necessárias”.

Ainda esta sexta-feira à tarde Costa terá uma reunião com o PEV. Mas a agenda segue na segunda-feira com o encontros com o BE e o PAN. E, terça-feira, novo regresso à São Caetano à Lapa.

“Não fechamos as portas”, garantiu o líder socialista, lembrando que “é preciso ter um espírito aberto, construtivo” e assegurando que “o PS sente essa responsabilidade de termos boas soluções”.

“Cá voltaremos”, rematou.

margarida.davim@sol.pt